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Charme e bucolismo no bairro preferido dos artistas
O
bairro de Santa Teresa nasceu nos arredores de um convento
no Morro do Desterro, no Rio de Janeiro, no século
18. O bairro ocupa uma colina no coração
da cidade e parece ter parado no tempo, mantendo há
dezenas de anos aspectos preservados do Rio Antigo e
guardando uma história em cada esquina.
Escritores
e artistas sempre foram atraídos por Santa Teresa,
seduzidos por seu chamamento à vida interior
e por suas riquezas arquitetônica e cultural,
visível aos olhos e ao coração.
Símbolo da contracultura e da arte exibida nos
muitos ateliês que tomaram conta do bairro, qualquer
manifestação artística encontra
seu reduto em Santa, como preferem chamar os apaixonados
pelo local. Tudo o que existe e se sabe sobre Santa
Teresa é também um pouco da história
do Rio. Mas para o visitante parece um local à
parte, com características próprias.
As
ruas estreitas e sinuosas por onde passam os velhos
bondes, os únicos que ainda circulam em todo
o Brasil, são mais uma peculiar atração
do bairro. Os charmosos veículos começaram
a circular no século passado, movidos por tração
animal e posteriormente por eletricidade. Remanescentes
de uma época romântica, foram tombados
como patrimônio histórico e ainda passeiam
por trilhas perfeitamente preservadas, levando o visitante
a uma releitura do passado.
O
bonde sai do centro da cidade, passa sobre os Arcos
da Lapa e segue a rota do tempo no sobe-e-desce das
ladeiras de Santa Teresa. O ponto de partida é
a estação no Largo da Carioca: a estação
fica bem perto da sede da Petrobrás, na Rua Lélio
Gama. O lugar tem um jardim encantador e revela um pouco
do que se vai encontrar nesse passeio.
Com
menos de R$ 1 adquiri-se o bilhete para passear no famoso
bonde amarelinho. Existem duas linhas que circulam por
Santa Teresa, chamadas Paula Matos e Dois Irmãos,
com intervalos de saída de 15 minutos. Existem
ainda dois passeios com guias, realizados aos sábados:
o Passeio Histórico, com saída às
10 horas e que dura cerca de uma hora percorrendo todo
o roteiro cultural, e o Ecológico, com saída
ao meio-dia, que oferece uma viagem mais longa, com
duas horas de duração e um roteiro que
inclui uma trilha pela mata.
Através
do condutor do bonde, ouvem-se pitorescas e curiosas
histórias. Lá fora, centros culturais,
antigas chácaras, castelos, largos, restaurantes,
ateliês, lojas de artesanato. Além das
deslumbrantes paisagens ao redor, avista-se no alto
o Cristo Redentor, abençoando a Cidade Maravilhosa.
Os bondes sempre dão uma paradinha para que os
passageiros conheçam o Museu do Bonde, que conta
tudo sobre os veículos, exibindo algumas de suas
réplicas antigas – uma verdadeiras relíquias
preservadas no tempo.
Descobrindo
o romantismo de Santa
Igreja e Convento de Santa Teresa
A Igreja e o Convento de Santa Teresa, responsáveis
pelo nome do bairro, pertencentes à Ordem das
Carmelistas Descalças, abriga religiosas que
vivem isoladas e têm pouquíssimo contato
com o mundo exterior. A ordem prega a simplicidade,
a humildade e a discrição. Poucos moradores
afirmam ter visto as freirinhas no bairro.
Largo
do Curvelo
O bonde chega à Rua Almirante Alexandrino, a
mais antiga do bairro. Nela se encontra a Casa Navio,
inspirada no convés de uma embarcação,
pura ousadia arquitetônica. E é dessa mesma
rua que se tem a visão surpreendente do Castelo
de Valentim, uma fortaleza erguida em estilo neo-romântico.
Construído no final do século 19, foi
residência do comendador Antônio Valentim,
projetada por seu filho. Hoje o imóvel funciona
como um prédio de apartamentos. Por ali, um mirante
descortina uma bela paisagem da Baía de Guanabara.
Largo
dos Guimarães e Largo das Neves
O bonde entra no coração do bairro. Agora
é só aproveitar e viver a boemia típica
de Santa Teresa. No Largo dos Guimarães se concentram
os mais badalados restaurantes e bares, que oferecem
cerveja gelada e ótimos aperitivos. Entre eles,
Bar do Mineiro, Bar do Arnaudo (comida nordestina),
Sobrenatural (frutos do mar) e Adega do Pimenta (alemão).
Quando anoitece, o agito toma conta do lugar. Artistas
e intelectuais passeiam por todos os lados, com muita
gente bonita e música popular brasileira. Seguindo
os trilhos do bonde chega-se ao Largo das Neves, onde
se encontra um belo casario de 1850 e a Igreja de Nossa
Senhora das Neves, de 1860, além de mais uma
série de bares muito concorridos. O local é
o ponto final da condução e por ali vale
a pena degustar o caldo verde do Bar do Goyabeira, os
sanduíches do Café das Neves ou os pastéis
de camarão do Santa Saideira.
Parque
das Ruínas
O Parque das Ruínas se torna um belíssimo
mirante que deixa o Rio de Janeiro aos seus pés.
De lá,tem-se uma visão extraordinária
do centro da cidade e de toda a orla do Rio –
desde o Aeroporto Santos Dumont até a Urca. Logo
abaixo estão os Arcos da Lapa. Aberto ao público,
o Parque foi o que restou do Palacete Murtinho Nobre,
onde morou Laurinda Santos Lobo. A casa foi um dos pontos
mais efervescentes da vida cultural carioca durante
muitos anos, até a morte da anfitriã,
em 1946. A Prefeitura fez renascer das ruínas
a cultura que ali existiu. O parque abriga uma sala
de exposições, auditório e cafeteria,
garantindo conforto a shows musicais, happy hours e
leitura de textos literários. Nas áreas
ao ar livre se destacam concorridos shows e uma programação
especial para as crianças nos finais de semana.
Com três andares, a casa chama atenção
também por sua arquitetura e estilo - tijolos
aparentes combinados harmoniosamente com estruturas
metálicas e de vidro.
Centro
Cultural Laurinda Santos Lobo
Numa bonita casa do bairro, foi inaugurado em 1979 este
centro cultural, que presta homenagem a Laurinda Santos
Lobo. Laurinda foi uma mulher especial que no início
do século praticamente comandou a vida intelectual
do Rio, promovendo saraus e dando vida e graça
a Santa Teresa. O acervo fotográfico da casa
mostra Laurinda em atividade e transporta o visitante
à Santa Teresa dos tempos da Laurinda Santos
Lobo. O centro possui também salas de vídeo
e espaços para exposições.
Museu
Casa de Benjamin Constant
O bonde passa por uma belíssima chácara,
onde viveu Benjamin Constant, líder do movimento
republicano. Sua residência foi transformada em
museu e totalmente restaurada com móveis, livros,
objetos, fotografias e acervos de artes plásticas.
A área que circunda o museu é totalmente
arborizada e ideal para um descanso rápido até
a próxima parada. Não confunda o Museu
com o Instituto Benjamin Constant, que funciona no bairro
da Urca. Neste último, o nome de Benjamim aparece
porque foi ele quem fundou e dirigiu por muitos anos
o Instituto de Meninos Cegos.
Museu
Chácara do Céu
Raymundo Castro Maya foi um empresário bem sucedido,
que se dedicou à vida cultural da cidade como
mecenas e colecionador. É o gancho para mais
uma chácara do bairro, herdada por Castro Maya
em 1936. A construção da residência
foi projetada em 1957 pelo arquiteto modernista Wladimir
Alves de Souza. Lá, funciona agora o Museu Chácara
do Céu que, para deleite do visitante, possui
um acervo com importantes obras de arte moderna, com
destaques para as assinadas por Portinari, Di Cavalcanti,
Guinard, Picasso, Matisse e Dalí. Em pinturas,
aquarelas e gravuras, o Brasil do século 19 é
mostrado por viajantes como Debret e Taunay.
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Endereço:
Estação de Bondes - ao lado do Aqueduto
da Carioca, na Rua Lélio Gama.
Tel: (21) 2249-5709

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